A Facção 84

On domingo, 22 de maio de 2011 0 comentários


Estávamos apreensivos na pequena central de computadores que mantínhamos no sub-84, tínhamos conseguido acesso a rede que controlava o trânsito do intra-muros que ficava acima de nós e tínhamos que pensar em um plano rápido e eficiente.

Enquanto isso dentro do intra-muros a mãe sentada no banco do motorista respondia as perguntas curiosas de seu filho:

“Mãe, é verdade que antigamente as pessoas controlavam o carro através de uma roda chamada volante?” Pergunta o pequeno garoto que devia ter no máximo 7 anos.
“Sim meu filho, mas isso foi antes da guerra de 33, depois que a guerra acabou e as pessoas puderam voltar a ter seus próprios carros foi desenvolvido o sistema de direção automática.” Responde a mãe.
“Entendi...” O garoto fez uma pequena pausa. “E o GPS era usado só como uma ferramenta de navegação?”
“Era. Ele só exibia informações para que as pessoas não se perdessem.” Afirmou a mãe. “Como eu disse, só depois do fim da guerra que aperfeiçoaram o uso do GPS para que funcionasse como um piloto automático para os carros.”
“Mas isso não é perigoso mãe?”
“Perigoso era antes, ouvi dizer que milhares de pessoas dirigiam com imprudência, mortes no trânsito eram registradas todos os dias, as pessoas dirigiam bêbadas, você pode acreditar nisso?” Perguntou a mãe olhando para o banco aonde se encontrava o filho. “Hoje as mortes no trânsito são inexistentes.”

O silêncio dominou por cerca de 2 minutos e meio, no máximo.
“Mas nunca falhou mãe?” O garoto parecia querer atenção.
“Nunca! O sistema é perfeito, o governo faz tudo pela nossa segurança e...”

“Desculpem interrompermos a sua viagem...” Uma voz de radialista saia dos alto-falantes do carro. “Sinto informar que hoje vocês não chegarão aos seus respectivos destinos.”

“O que é isso mãe?” Pergunta a criança assustada.
“Nada! Deve ser só algum problema com o rádio.” A mãe fez uma pausa. “Deve ser só um problema com o rádio.” Repetiu tentando manter a calma enquanto a voz no rádio continuava.

“Vocês devem estar se perguntando se é um problema no sistema de rádio e comunicação de seus veículos, mas não é isso. Nós somos as pessoas que vivem abaixo de seus pés, pessoas essas que são censuradas pelos seus lideres e que mesmo com a opressão conhecem a verdadeira liberdade.” O silêncio tomou conta por alguns segundos. “Apertem os cintos para que o impacto não seja tão grande...” Outra pausa. “Espere! Acho que seus carros nem tem cinto de segurança e muitos de vocês nem sabem o que é isso, sentimos muito pelas fraturas.” O sistema de som foi desligado.

“Mãe estou com medo.” Disse a criança com lágrimas nos olhos.
“Vai ficar tudo bem.” Disse a mãe virando para trás para segurar a mão do filho, mas antes veio o impacto...

Nosso plano deu certo, o recado foi dado, sabemos que algumas pessoas ficaram feridas mas felizmente não houve nenhuma morte. O governo disse que foi um ataque vindo de um intra-muros asiático, mas acreditamos que as pessoas que estavam dentro de seus veículos naquele momento não vão cair nessa, talvez o ódio por nós seja implantado em seus corações, mas pelo menos eles acreditarão em nossa existência.

02 de Março de 2077, Sub-84

Relatado por: Rav12

On quinta-feira, 10 de junho de 2010 0 comentários


Eu sei que aqui nós estamos esquecidos
Eu sei que o inferno é aonde eu vivo
Meu passaporte pro cemitério tem visto
É só parar na fila e esperar homicídio...

O inferno é tão perto que não dá pra escapar!
Facção Central - Quando É Que Vão Olhar Pro Inferno

Eu era apenas um garoto de classe média com conhecimentos avançados em informática e utilizava esses conhecimentos para ter acesso a músicas que foram proibidas antes mesmo de eu ter nascido, na maioria são músicas de um estilo que já foi conhecido como Punk rock, um tipo de música agressiva aonde a técnica musical não parece muito apurada mas as letras vão contra tudo aquilo que é imposto na vida de um ser humano hoje em dia, pelo menos foi isso que percebi nas quais consegui entender o que o vocalista berrava, eram palavras de ordem, muitas delas nem existem no nosso vocabulário como o caso da tal de 'anarquia', algumas só são vistas em contos de fada pois a tal da 'liberdade' passa longe dos 'intra-muros' imagine só nos 'sub-muros'.

Por falar em sub-muros lembro-me do dia em que tive o meu primeiro contato com o sub-84, estava em meu 'cubo' lendo passagens de um livro antigo (e também proibido), foi muito difícil conseguir aquele material, fiquei semanas esperando o contato do Rav12 (um fornecedor que tinha conhecido a alguns meses) mas ele não era um fornecedor qualquer, tinha algo de diferente nele e eu estava prestes a saber o que era. Comecei a ler algumas partes do livro que parecia mais um conto infantil por falar sobre animais de uma fazenda quando bateram em minha porta, uma batida muito familiar tipica de um 'Millit', uma gota de suor escorreu sobre meu rosto, segurei a respiração e tentei reencontrar a calma para abrir a porta, levantei a bunda da cadeira e fui até ela preparado para olhar diretamente nos olhos do fantoche, quando toquei minha mão no Scan para que a porta fosse aberta um barulho de corrente elétrica seguido de um gemido veio de traz da mesma, pela abertura visualizei aquele corpo com vestimentas pretas caindo mórbido no chão enquanto outro triunfante com uma luva elétrica estendia-me a outra mão dizendo:
- Agora você faz parte da Facção, venha comigo Kross!